Celebrado com cerimónia e aguardente vínica, o equilibrio estomacal sobrevoa o inferno com grande atrito atmosférico. A sombra do dia é sentida pelo reumatismo de existir, a chuva congelou como uma discussão deixada a meio. É impossivel andar. Pedaços de rua sobrepostos desvendam uma fenda no alcatrão. Imobilizado à porta do prédio, divirto-me a observar os pardais que se espetam nas suspensas gotas congeladas.

Oct. 23rd | 2011

Comments (0)  

Cat: Novela Praga  

 

 

Os tormentos da cidade gritam por comida. A gula grita com eles por compaixao e simpatia… que duelo. Eu limito-me a ouvir. Fechado a betao e vergas de ferro, olho-me nos reflexos do vidro que transporta o exterior. Na fabrica da frente as chapas de zinco aplaudem o silêncio, e com elas faço um vénia ao abandono. O orquestrado é interrompido pelo som ensurdecedor do estendal da vizinha.

Apr. 22nd | 2011

Comments (0)  

Cat: Novela Praga  

 

 

Sem demoras, apresso-me a deitar tudo nos devidos contentores. Lixo emocional no grande, coisas la de casa no pequeno e as cascas podres das cebolas atiro-as violentamente para a trituradora que me acorda todos os sabados de manha. Não me esqueço de nada, acendo o maleficio e ponho-me na alheta. Neste dia sinto-me incrivelmente bem disposto, e passo cartao a todos os que se dão ao trabalho de se sentir apreensivos pelo mau cheiro das cuecas que prometi intocar. Cafe na rosa, fruta no alfredo e finalmente casa… peido-me para um frasco e guardo-o com ansiedade de coleccionador!

Apr. 20th | 2011

Comments (0)  

Cat: Novela Praga